Identidade, disciplina, e o impacto no bolso das famílias sob a
ótica de alunos, monitores e direção.
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| Desfile cívico da Escola Emérita. Fonte: Instagram @eebemerita |
Por Yasmin
Peppler Marcelino & Kauê de Moraes Alves*
A chegada do modelo cívico-militar nas escolas brasileiras
trouxe muita conversa sobre como deve ser a rotina dos estudantes, as regras do
dia a dia e, principalmente, o uso obrigatório da uniforme. Mais do que uma
roupa comum, o uniforme nesse estilo de escola carrega ideias fortes de
organização, igualdade visual e bastante disciplina. Só que, na prática, lidar
com os custos das roupas, a quantidade de peças e o calor que faz em alguns
dias gera um debate constante entre todo mundo que frequenta a escola.
Para entender melhor o que está acontecendo, nós fizemos uma
pesquisa direto com as pessoas que vivem isso na pele todos os dias: de um lado
os alunos e, do outro, os monitores e a direção da escola. As respostas ajudam
a mostrar os dois lados.
A Visão dos Monitores e da Direção
Para quem cuida da organização e da gestão da escola, ao
uniforme é visto como uma ferramenta muito importante para ajudar na educação e
no respeito. Nos formulários que a monitoria e direção responderam de forma
anônima, todo mundo concordou que a padronização das roupas faz a diferença.
Quando perguntados sobre o principal objetivo pedagógico de um
uniforme, eles deixaram claro que o foco é o disciplina dos alunos. Uma das
respostas na pesquisa resumiu bem esse pensamento: "Na minha opinião, o principal objetivo
pedagógico é desenvolver disciplina, e organização, e também que existem regras
a serem seguidas".
O principal objetivo pedagógico é desenvolver disciplina, e organização, e também que existem regras a serem seguidas"
Outro participante da gestão também destacou que a ideia é "ensinar para os alunos uma postura firme e padronizada levando eles à excelência".
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| Gráfico 1: Resposta dos monitores sobre a redução de problemas de indisciplina através do uniforme. Fonte: Autores da reportagem |
Como dá para ver no Gráfico 1, 75% da monitoria/direção
acreditam que o visual padronizado ajudou a diminuir visivelmente os problemas
de indisciplina. Porém, cobrar isso todo dia dá trabalho e exige flexibilidade.
Os dados mostram que, mesmo de olho nos estudantes, as punições mais pesadas
por falta de uniforme ou uso incorreto quase nunca acontecem. Na maioria das
vezes, a monitoria acaba relevando a situação ou conversando.
Inclusive, a própria gestão pontuou que a escola quase não tem
parcerias ou ajuda financeira para dar o uniforme de graça ou mais barato para
as famílias que estão com o orçamento apertado. Então, eles precisam ir
conversando e resolvendo caso a caso quando alguém aparece sem a uniforme
completo.
A
Perspectiva dos Alunos
Do outro lado estão os estudantes, que precisam seguir à risca
todas as regras de apresentação pessoal. A nossa pesquisa com os alunos trouxe
respostas bem misturadas e que servem de alerta.
Uma parte muito grande dos estudantes reconhece que o uniforme
cumpre um papel social essencial: ela diminui a diferença visual entre quem tem
mais ou menos dinheiro, evitando que as pessoas fiquem comparando marcas de
roupas caras ou estilos dentro da sala de aula.
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| Gráfico 2: Opinião dos alunos se uso do uniforme ajuda a reduzir as diferenças sociais na escola. Fonte: Autores da reportagem |
O Gráfico 2 mostra que 66,7% dos alunos concordam que o uniforme
ajuda a reduzir as desigualdades no ambiente escolar. Mesmo assim, quando
abrimos o espaço para eles escreverem o que passam no dia a dia, apareceram
reclamações bem reais sobre o bem-estar e a logística das famílias:
• Pouca quantidade
de peças: Vários alunos comentaram que o
número de roupas que recebem ou conseguem comprar não dá para a semana inteira.
Um estudante desabafou na pesquisa dizendo que o maior
desafio é simplesmente "ter uniforme limpo o
suficiente para todos os dias", e outro sugeriu que seria ótimo "disponibilizar mais peças de roupas pois nem sempre após a
lavagem conseguem estarem secas". Isso faz com que os pais tenham que
lavar e secar a roupa correndo quase todo dia.
• Calor e
qualidade do tecido: O material dos
uniformes recebeu críticas pesadas. Algumas respostas apontaram que "o
tecido é muito fraco e muito quente" e outras alunas reclamaram que as blusas eram muito transparentes e desconfortáveis, mostrando que o
uniforme às vezes atrapalha o conforto na hora de assistir às aulas.
• Custo para
manter tudo certo: Como as regras são muito
rígidas e não pode usar uniforme rasgado ou desbotado, os alunos acham que a
qualidade "regular" do tecido acaba pesando no bolso dos pais, que
precisam gastar dinheiro para repor as peças que estragam rápido.
Considerações Finais
O que a gente consegue concluir com essa pesquisa é que o
fardamento nas escolas cívico-miliares funciona muito bem para manter a ordem e
criar um ambiente onde todos se sintam iguais, sem distinção de classe social.
Isso é um ponto super positivo reconhecido por todo mundo.
Mas, para que o modelo funcione 100% sem massacrar ninguém, a
escola precisa olhar com mais carinho para o lado prático de quem usa as
roupas. O grande desafio agora é equilibrar a cobrança por um visual impecável
com a realidade financeira e a correria dos pais em casa. Melhorar o tecido
para aguentar o calor da nossa região e dar um jeito de entregar mais peças por
aluno são os caminhos mais urgentes para que o uniforme traga conforto e
orgulho de verdade, e não vire uma dor de cabeça no dia a dia.
*Os autores são estudantes do 3º Ano do Ensino Médio
Escola Emérita – Cívico-MilitarBiguaçu - SC



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